É altura, de nós mais velhos, nos começarmos a pôr em bicos dos pés, para poder segredar alguns dos nossos erros e pecadilhos de sempre, aos mais novos.
A juventude portuguesa, está enorme... em altura.
Subiu-se mais em altura no nosso país, nos últimos quarenta anos, do que nos outros quatro mil.
Costumam alguns avós dizer para os netos: Que essa altura toda, só pode ser dos iogurtes que eles nunca comeram; ou então, é por não fazerem nada. Pois, na sua meninice e juventude, é que era trabalhar - muito e bem.
- Vocês agora, não prestam para nada – é só altura!
É difícil o entendimento, de como mudou a vida nestes 40 anos. É impressionante demais – e então, no nosso país! Para os netos, não dá para acreditar, no que foi a vida à quarenta anos atrás, e particularmente no nosso país real! São abismais as diferenças. São espectaculares as mudanças. São viciantes os novos hábitos. São fantásticos os novos limites. São preocupantes as actuais crises.
É altura, de sabermos conciliar as velhas lições, com os novos ensinamentos.
Até parece que foi mentira, vistas as coisas a esta distância. Mas, para os que viveram todas estas transformações, ainda parece que foi ontem. Daí, estes verem ainda com determinado cepticismo, toda esta actual “fartura”, que tem tanto de ilusório esbanjamento, como de preocupantes insatisfações.
É altura, de sabermos dosear o ritmo certo, para estes novos tempos que aí vêm.
Por outro lado, encontramos precisamente entre os mais jovens, a capacidade, interesse, tenacidade, vontade e confiança, para um futuro que necessariamente tem que ser mais promissor. Não podemos é querer que sejam e façam por um lado, enquanto lhes tiramos por outro. E que remedeiem e solucionem, o que conseguimos e o que continuamos a asneirar. Mas também valha-nos isso; os mais novos são mais sorridentes, mais optimistas e concerteza, que bem mais capazes, do que os mais velhos; que sem provas suficientes, nem visões sorridentes, ainda continuam a atrofiar e a não saber lidar com tanta necessidade de mudança. E que não se apercebem, quanto já atrasaram, continuando assim “empenhadamente” a atrasar.
Os mais velhos, atiram já muitas das suas preocupações de hoje e sem grandes contemplações para cima dos jovens: que eles isto; que eles aquilo – como se a culpa do que vai mal, lhes pudesse já ser toda imputada. Mas, se eles estão mal preparados ou mal habituados; se são malcriados e mal-agradecidos; se não dão valor às coisas, nem às pessoas – afinal, mas quem é que os educou e como; quem os ensinou e o quê; quem os iludiu e porquê? Pois, fomos nós. Nós pessoalmente e as sociedades de hoje, montadas no amontoado das nossas aspirações, delírios e valores. Nós fomos capazes de as alterarmos tremendamente, para o melhor e para o pior. Pois é, somos nós – os mesmos de ontem a querer impor o futuro, sempre e ainda à nossa velha força e caduca maneira.
É altura de mudarmos, dando as devidas oportunidades e reconhecendo os reais méritos dos mais novos.
Eles vão surpreender-nos sobremaneira, assim como já nos surpreenderam e nos ultrapassaram - e de que maneira – em altura. A sua estatura física já impressiona e os outros tipos de estatura, também irão concerteza fazer das suas.
Mas, o preocupante mesmo, é poderem haver cada vez mais novos velhos (sem espírito, nem dinâmicas jovens) e menos velhos jovens – que apesar de toda a idade, que pode ser muita; mas que continuam a ter aquele brilho forte e especial no olhar, que os faz acreditar, a cada dia que passa, num futuro melhor e com o seu cunho especial - pelo menos em relação às coisas que o rodeiam e que são sempre muitas! Tocamos directa e indirectamente, tanto do mundo e tantos dos que nos rodeiam, mesmo que muito fugazmente e indelevelmente; que nunca nos podemos resignar à caduquice da nossa influência particular e presença única, por cá!
Está na altura é de assumirmos mais os nossos erros e de confiarmos no certo e profícuo contributo que esta juventude tem para nos dar, plenos do seu real valor e da sua muita gana, cheios de garra e plenos de genica; e que nós, tão injustamente continuamos a não acreditar o suficiente e a criticar demais.
Chega, mudemos também nós!
Já repararam, como os tempos mudaram.
Mudaram tanto.
É a altura!