
DIA DE SANTA CATARINA
Na aldeia de Vila Facaia (bonito nome), do concelho de Pedrogão Grande acontece todos os anos pelo 25 de Novembro, sem grande pompa mas com muita substância, a Feira de Santa Catarina.
A Feira de Santa Catarina, será uma das mais tradicionais e rurais feiras do país. Quem quiser visitar uma feira; onde das adegas e das cozinhas das casas saem pratos a fumegar e se bebe um copo com os donos das casas é vir até aqui neste dia. Marque já para o próximo ano na sua agenda!
Trata-se de uma feira, com muito de romaria, onde normalmente se encontra um amigo a cada esquina. Podem-se comprar febras ou sardinhas no largo maior, onde os feirantes tradicionais vendem de quase tudo que dá para comer e vai-se até ao alpendre mais próximo, onde grelhadores esperam – se não formos nós a esperar – para pôr “a carne toda no assador” (carne e peixe no grelhador). Quando não, já está alguém a chamar-nos com os pratos carregados de sardinhas acabadas de assar e com o grelhador (por conta deles) cheio de mais tiras e febras!
Um ambiente, de facto... de facto, dos mais genuínos e verdadeiros que podemos encontrar. Um pormenor de Portugal cheio de interesse. Esta será das feiras e este será dos dias em que mais (boas) memórias nos ocorrem e onde mais rapidamente nos sentimos numa viagem do tempo... franca, extremamente agradável e segura.
Vila Facaia está equidistante dos concelhos de Pedrogão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra, transformando-se neste dia como o seu centro nevrálgico – a verdadeira capital desses três concelhos. Capital por um dia, dada a afluência de população destas e de outras paragens.
Acho que sim. Vila Facaia e a Santa Catarina merecem o seu “feriado”. E porque não, oficializarem-no mesmo como feriado freguesial!!!
Não há! Ora, mais uma razão. Por isso mesmo.
Não é possível! Ora essa. Até que podia ser aquela excepção que confirmasse a regra!
Quer queiram ou não, toda a gente de lá e muitas dos arredores “tiram o dia”, pelo que na prática está “institucionalizado”! É mais ou menos como a terça-feira de Carnaval, que não existe como feriado oficial, mas que nós todos festejamos e guardamos (religiosamente)!
Do melhor que conheço pelo convívio e abertura de portas – de manhã cedo até à madrugada tarde. Alguns fazem a ponte completa das 24 horas!
O ano passado encontrei lá um amigo que já não via há anos e que tinha vindo de longe. Disse-me que tinha vindo fazer o programa completo; desde logo de manhã com a missa e até altas horas da noite (que já eram), a cantar entre as concertinas no intervalo de mais uma febra e daquela ginjinha especial. Feita e guardada para ser toda consumida naquele dia! Um dia muito especial... mesmo. Uma feira/festa única.
Alguns cidadãos abrem mesmo a casa de par-em-par a partir do meio da tarde e... oferecem tudo! Comida, bebida e franco e saudável convívio. Recebem-se amigos e amigos dos amigos e mesmo que não sejam amigos, sempre com uma alegria e abertura que já não há.