EXPO 98Há onze anos atrás andávamos todos, portugueses; ansiosos e impacientes, como nunca; orgulhosos, como poucas vezes; críticos, como sempre; a fazer contas à vida, como de costume; expectantes, como seria de supor e... a contar os dias para abrir a Expo 98 – a nossa Expo. E sabíamos que íamos estar nas bocas do Mundo, mas... por bons motivos.
Entretanto, já eliminámos duas vezes, de fases finais os Ingleses por penaltye’s e a papel químico.
Entretanto, também já perdemos as mesmas vezes com os franceses duma figa, em jogos ainda mais próximos da glória e quase também, a papel químico.
Entretanto, no dia da possível coroação, “vimo-nos gregos” e estes “roubaram-nos” mesmo à frente do nosso nariz, o título de Campeões.
Mas entretanto, nasceu o Mourinho como treinador, cresceu para a bola o Cristiano Ronaldo e mais uma nova vaga de vedetas. Desta e doutras modalidades. Do desporto e de outras profissões.
E eu, que entre outras visitas, não prescindi de participar na festa de encerramento da Expo. E entre muitas outras razões; o que me levou lá, foi o festival que havia no palco 3 ou 5, já não me lembra; de cantares ao desafio.
Os cantares ao desafio, algo: tipicamente nosso, puramente genuíno, musicalmente contaminante, verbalmente aguerrido, alegremente bestial... francamente espectacular.
E os muitos estrangeiros que se acumulavam ao meu lado, mesmo sem perceberem todas aquelas piadas enormes, o quanto apreciaram tudo. Um espectáculo cheio de figurantes castiços – os melhores cantadores e as melhores cantadeiras das suas terras (os seus mais famosos representantes) apresentados anonimamente para o Mundo.
Entre algumas falhas quase indesculpáveis, que excelente foi aquela ideia para mostrar a todo o mundo, do que temos e de quanto podemos valer e logo, guardado para as despedidas finais – fantástico.
E cá está mais uma óptima razão, de sabermos e gostarmos afincadamente de sermos portugueses. E não é só das grandes obras, dos grandes nomes e das grandes vitórias; que nos devemos orgulhar e sentir, espectacularmente bem na pele de portugueses – também o é e será, anonimamente, por quem canta assim com tanto gosto... ao desafio. Por quem tão bem anonimamente, pega de caras touros bravos e por quem, também, por tudo e por nada, todos os dias, anonimamente dançam, cantam e... fazem Portugal.