Há sempre algo em nós
Que anseia por se libertar.
Não sabemos é muito bem do quê,
Nem para quê ou para onde?
E aí é que reside o mistério
E se mantém a graça toda.
Caso contrário, tudo não passaria
De mera comiseração pessoal!
E é nessa busca sem achar,
Nesse desencontro constante,
Entre a descompreensão e a insatisfação,
Que fortalecemos o nosso querer
E traçamos o nosso caminho.
Que somos nós,
Pura e simplesmente,
Oscilando entre as questões mais banais
E as razões mais filosóficas.
Porventura, a tal libertação,
Capaz de nos elevar, de nos transformar
De meros e aborrecidos animais de carga
Em fantásticos cidadãos do mundo,
Capazes de cavalgar o futuro!
2005