ASSIM SE PASSOU
Ele acenou sobre ela, fincando-lhe primeiro um olhar concentrado, profundo, intencional; depois fechando de quando a quando os olhos de prazer, enquanto se agarrava a ela com todas as suas unhas e forças.
Debruçado, contorcido sobre ela como um seu amante fogoso e experiente, sabendo-lhe tocar nos sítios certos e na altura exacta, retirando-lhe os gemidos mais elaborados, mesmo os mais estridentes e estilhaçados, mas de uma beleza contagiante.
Via-se e sentia-se que ele nutria uma paixão irresistível e deveras especial por ela e ela ansiava pelas mãos dele a todo o tempo. Uma relação perfeita. Faziam, de facto, um par perfeito, entre os rasgos superlativos e de excelência dele; ela mais contida, contudo entregava-se por completo.
Por vezes, ele balançava sobre ela e ela quase que desaparecia debaixo dele, encaixada na perfeição, ajustada ao seu corpo. Abraçado a ela, ele continuava a saber-lhe retirar todos os sons que tencionava, entre gemidos, murmúrios, gritos e sustenidos, a comunhão era perfeita.
Ele sentado, balouçava as pernas com ela sentada no seu colo, ao ritmo dos acordes que iam saindo.
Por fim, ergueram-se os dois de braço dado, agradecendo todos os aplausos que lhe eram prestados. E merecidos.
Ela, a nossa querida guitarra portuguesa.
Ele, um guitarrista como poucos. E também, felizmente… como tantos.
Excelente espectáculo. E que espectacularidade tem a nossa boa música, a nossa guitarra e todos os grandes guitarristas.