RUAS E PRAÇAS
Gritavam os antigos ardinas pelas ruas e praças habituais, sempre a mesma velha ladainha:
- Notícias frescas – quentes e novas!
Não, não é nenhuma contradição; então o pão quando sai do forno, também não é fresco e não está quente – aliás, só o poderia ser.
Já nas castanhas, não se usa por norma o termo de fresco; são só:
- Quentes e boas – quentinhas! Apregoam hoje pelas mesmas ruas e praças, onde já não moram os ardinas.
E não é, que as castanhas assadas, já se vendem durante todo o ano. Sinais dos tempos – porventura, hoje os vendedores de castanhas, não serão os antigos e mais jovens ardinas; hoje reconvertidos e muito bem, a novas funções; mas sempre, os dignos “donos” das mesmas ruas e praças? Se não são, são no mínimo parentes próximos.
E se antes era uma imagem que marcava tanta rua e praça, por grande parte de todo o planeta, agora é uma belíssima imagem de marca de tantas ruas e praças do nosso país.
E ganhamos, porque os jornais continuam a vender-se e as castanhas assadas estão transformadas num bonito produto turístico português, com aquele cheiro, tão característico e agradável, que encanta tudo e todos. E então os turistas, pasmam e deliciam-se, de sorriso na boca e de nariz afiado, seguindo o homem das castanhas, naquele seu velho pregão, pelas nossas ruas mais típicas e praças mais emblemáticas:
- Quentes e boas… quentinhas!
